Acessibilidade e Desenho Universal

 

Acessibilidade é a diferença que permite que uma rua, uma praceta, um edifício, um hotel, um restaurante, receba pessoas com mobilidade condicionada.

Construção sem interferências de elementos que dificultem o acesso de pessoas de mobilidade condicionada em segurança, nomeadamente degraus, rampas inclinadas espaços diminutos e pouca visibilidade;

 

Em diversos momentos da nossa vida, todos nós experimentamos dificuldades nos espaços em que vivemos ou com produtos os produtos que usamos. Estas dificuldades resultam de situações de inadaptação das características do meio construído face às nossas necessidades.

Os designers e arquitectos estão habituados a projectar para o mítico homem médio que é jovem, saudável, de estatura média, que consegue sempre entender como funcionam os novos produtos, que não se cansa, que não se engana … mas que na verdade, não existe.

Na verdade, todo o indivíduo é único, e, como grupo, a espécie humana é bastante diversa, quer em capacidades quer em conhecimentos.

É possível conceber e produzir produtos, serviços ou ambientes adequados a esta diversidade humana, incluindo crianças, adultos mais velhos, pessoas com deficiência, pessoas doentes ou feridas, ou, simplesmente, pessoas colocadas em desvantagem pelas circunstâncias. Esta abordagem é designada “Design Inclusivo”.

O Design Inclusivo pode ser definido como desenvolvimento de produtos e ambientes, que permitam a utilização por pessoas de todas as capacidades. Tem como principal objectivo contribuir, através da construção do meio, para a não descriminação e inclusão social de todas as pessoas.

O Design Inclusivo é por vezes confundido com o desenvolvimento de soluções específicas para pessoas com deficiência, mas este não é, de todo, o seu objectivo. O envolvimento de pessoas com deficiência é encarado como uma forma de garantir a adequação para aqueles que, eventualmente, terão mais dificuldades de utilização, assegurando, desta forma, a usabilidade a uma faixa de população mais alargada.

Desta forma, é claro que os destinatários de soluções mais inclusivas, são todos os cidadãos e não apenas aqueles que apresentam maiores dificuldades de interacção com o meio.
Contudo, são estes que se encontram em pior situação, que maiores benefícios sentirão pela sua implementação, passando a estar integrados em igualdade de direitos com todos os outros.

Extracto de um texto do Autor: Arquitecto Jorge Falcato Simões
In: “Manual de apoio às acções de formação do projecto Design Inclusivo - Iniciativa Equal”
Edição: Centro Português de Design

 

São sete os princípios que caracterizam o Desenho Universal (Universal Design) :

Primeiro - Equiparação nas possibilidades de uso dos usuários
O "design" é útil e comercializável às pessoas com habilidades diferenciadas.

Segundo - Flexibilidade no uso
O "design" atende uma ampla gama de indivíduos, preferências e habilidades.

Terceiro - Uso simples e intuitivo
O uso do "design" é facilmente compreendido, independentemente da experiência do utilizador, do nível de formação, conhecimento do idioma ou de sua capacidade de concentração.

Quarto - Captação de informação
O "design" comunica eficazmente com o utilizador as informações necessárias, independentes das suas condições ambientais ou da sua capacidade sensorial.

Quinto - Tolerância para o erro
O "design" minimiza o risco e as consequências adversas de acções involuntárias ou imprevistas.

Sexto - Mínimo esforço físico
O "design" pode ser utilizado de forma eficiente e confortável, com um mínimo de esforço.

Sétimo - Dimensão e espaço para uso e inteiração
O "design" oferece espaços e dimensões apropriados para interacção, alcance, manipulação e uso, independente do tamanho, postura ou mobilidade do utilizador.

 

Consideram-se pessoas de mobilidade condicionada todas as que em algum momento da sua vida passaram por dificuldades de mobilidade quando interagiram com o meio que os rodeia.

São exemplo as pessoas idosas, as grávidas, as pessoas obesas, as pessoas acidentadas, as pessoas com doenças degenerativas por exemplo com esclerose múltipla, as pessoas com diferentes graus de limitações visuais, motoras ou auditivas , pessoas com deficiência, pessoas que transportam volumes, adultos com crianças ao colo, crianças que transportam trolleys, etc.

 

São todos os obstáculos que dificultam ou impedem as deslocações das pessoas de uma forma geral e em particular as pessoas de mobilidade condicionada.

As Barreiras arquitectónicas encontram-se na via publica ( prumos de sinalética, mobiliário urbano desadequado ao local, implantação de equipamentos invadindo o canal de circulação, etc), nos espaços públicos, nos edifícios de equipamentos, nos acessos aos edifícios públicos ou privados, e no interior desses edifícios.

Para algumas pessoas assume-se apenas como um pormenor sem consequências para a maioria é a diferença que permite a participação, o acesso, a inclusão nas diversas formas de actividades que constituem a sociedade Portuguesa.

Exemplos de Barreiras arquitectónicas :

Exemplo de Barreira Arquitectonica: Exemplo de Barreira Arquitectonica:
Exemplo de Barreira Arquitectonica: Exemplo de Barreira Arquitectonica:

 

Portugal apresenta um índice progressivo de envelhecimento da população, tal como nos indica os dados disponíveis pelos censos 2001 do INE.

Esta constatação também se verifica à escala da Europa e dos restantes países mundiais, em conformidade com as estatísticas disponíveis pela ONU.

O processo de envelhecimento causa frequentemente uma deterioração geral das capacidades físicas, sensoriais e cognitivas, importantes para o cumprimento das mais diversas actividades do dia a dia.

Assim torna-se urgente uma nova atitude por parte de empresários, promotores e projectistas no sentido adoptarem soluções técnicas que permitam a participação e a inclusão das pessoas com mobilidade condicionada.
[Produtos...]

 

 
2007 - Carlos Mourão Ferreira & Fernando Lima Pacheco, Arquitectos Lda.